quinta-feira, 13 de julho de 2017

Deitar cá para fora...

Lá fora o ar abafado impede os mais corajosos de realizar a sua corrida diária, mesmo a estas horas da noite. Respirar torna-se desconfortável, e o cansaço acumulado não ajuda.
Podíamos ficar por aqui, sentados, a lamentar-nos do cansaço, do calor, da vida.
Mas também podemos sentir-nos agradecidos e acarinhados. Agradecidos por podermos experienciar o calor, o cansaço e tantas outras coisas. Acarinhados por termos com quem partilhar este calor e este cansaço.
E é assim que me sinto, após mais um ano, com calor e cansada. Mas satisfeita e agradecida. Feliz por olhar para o lado e perceber que não estou sozinha a fazer esta caminhada, sob este calor. Feliz por saber que se cair, vários me vão ajudar a levantar.
Estranhamente tranquila por olhar para trás e perceber que o que previ aconteceu. As pessoas seguiram efetivamente com a sua vida. Reconstruíram significados, criaram novas memórias, e agarraram novas oportunidades. E não, não me sinto desiludida por isso. Sinto-me confortável. Afinal, era o melhor para todos. Consigo estar em paz quando vejo o meu projeto, o menino dos meus olhos, ser agarrado por outra pessoa. Podia revoltar-me e achar que estavam a viver a minha vida. Mas isso é impossível. Sinto-me viva, encontrei o meu espaço e, jamais um projeto poderia definir-me enquanto pessoa. Fico contente que a minha ideia tenha sido assim tão boa que não lhe tenham resistido.
Lá fora o ar continua abafado, mas se não podemos correr ao ar livre, podemos ir ao ginásio, aproveitar o ar condicionado e dar a nossa corridinha descansados.
Se a vida te dá limões, faz uma limonada :)

domingo, 11 de setembro de 2016

Incertezas

Um dia acordas, envolto em nevoeiro, e não consegues sentir o cheiro a maresia. Facilmente percebes que não estás mais junto ao mar, e que o sol não regressa como previsto. Sentes-te perdido e não percebes muito bem onde estás ou para onde queres ir. Sabes apenas de onde vieste, e como aqui chegaste, mas ainda assim, continuas sem saber onde estás. 

O ruído é ensurdecedor e, ao mesmo tempo, há um silêncio mudo, que te faz doer o estômago. As náuseas são uma constante e a perda de equilíbrio não te permite retomar o caminho. Como é que isto aconteceu - perguntas-te. Não sabes e, provavelmente, nunca vais saber. A vida, essa madrasta, sem dó nem piedade, pregou-te mais uma rasteira. Desta vez, sem pré-aviso. Quando tudo parecia estar bem, quando tudo corria pelo melhor, quando fazias planos e traçavas metas, o tapete foi-te tirado, violentamente, dos pés. Foi uma chicotada, que te deixou inerte, sem capacidade de respirar. 

Tentas voltar a ti, tentas recuperar do coma induzido, brutalmente induzido, e não consegues. Não tens vontade, não tens planos, não tens desejos nem aspirações. Não sabes o que queres, mas também não sabes o que não queres. Queres fugir e queres ficar. Queres desistir e queres lutar.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

WTF?!

Aquele momento em que estás a ler um texto num blog e vês lá a tua ideia de um projeto I&D.
Não há duas sem três!

domingo, 3 de julho de 2016

Resume-se a isto...




E quando deixam de precisar, ou simplesmente estamos em posição impossível de ajudar, deixamos de o ser. Triste, mas libertador. 

sábado, 2 de julho de 2016

16 years later

Dezasseis anos depois. A dor. Voltou.
Quem me conhece sabe que tenho a maior resistência a tudo o que seja mexerem-me nas costas, ir à fisioterapia ou ao osteopata. Quem me conhece também sabe que não tenho costas e ombros, tenho uma espécie de tábua, que me dificulta uma série de movimentos no dia-a-dia e que me provoca dores constantes.
Sei bem qual é o problema, a sua origem e a sua solução. Mas a minha resistência em resolver o problema sempre foi tal, que nunca ninguém me convenceu. Durante anos ouvi, variadíssimas vezes, que no dia em que isto começasse efetivamente a dar problemas, sem retorno, eu iria procurar ajuda. Adiei o mais possível a decisão, até ao dia em que... a dor, a verdadeira dor, apareceu (e veio para ficar).
Dezesseis anos depois. Comecei. A resolver o problema das minhas costas.
Só tenho uma coisa a dizer: que leveza!!!




segunda-feira, 27 de junho de 2016

Desabafos

Por um milionésimo de segundo ela achou estar apaixonada, e o mundo congelou naquele instante. Por um milionésimo de segundo ela sentiu borboletas no estômago, o coração a querer saltar-lhe do peito e uma enorme dificuldade em respirar, e o mundo congelou naquele instante. 
Mas depois, depois ela voltou a si, e pensou em como seria a sua vida se voltasse a apaixonar-se, e percebeu que isso não estava nos seus planos. Encolheu-se sobre si mesma e esperou que aquela sensação de vazio passasse. Poderá ela voltar a apaixonar-se? Será ela capaz de voltar a entregar-se? 
Em boa verdade é muito difícil que a história se repita, que ela baixe as guardas e deixe esse bandido entrar. Por outro lado, há uma pequenina parte dela que sente falta desse carinho, desse mimo, desse aconchego e desse calor. Mas será ela capaz de lidar com tudo o resto? As amarras, as responsabilidades, as exigências? Hmm, para ela continuar a ver tudo nestes polos extremos então provavelmente ela ainda não está preparada para voltar a amar (se é que alguma vez estará...)

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Narrativas

Todas as narrativas precisam de uma finalização, para que possamos seguir o nosso caminho. Um ano volvido de uma das maiores decisões da minha vida, e a última linha foi escrita, pelo menos por mim. Foi um ano intenso, de emoções fortes, de novas amizades, de experimentar coisas diferentes, de reviver e revisitar sítios e espaços onde outrora fui muito feliz. O balanço é mais do que positivo e, quando ainda hoje me perguntam se acho que tomei a decisão certa, não hesito em sorrir e dizer que sim, tomei a melhor decisão que podia tomar. Não, não considero que tenha perdido oportunidades, limitei-me a mudá-las de sítio e posicionei-me perante a vida de forma diferente. Se sinto saudades? Muito honestamente, não. Senti nos inícios, mas atendendo a que estou a construir um novo caminho, com as mais variadas oportunidades, considero que consigo completar-me de outra forma, e introduzir a minha paixão na agenda. Este ano permitiu-me crescer, conhecer-me enquanto pessoa e perceber que o essencial se mantém, o meu gosto pelo meu trabalho. No princípio era estranho, ter liberdade, ter autonomia e o mais difícil de se entranhar era o facto de reconhecerem o meu valor, de reforçarem positivamente coisas simples que eu fazia. Por outro lado também foi estranho voltar a conviver com colegas de trabalho. Pessoas que partilham o mesmo espaço de trabalho, que partilham alegrias e tristezas, e que convivem para além do trabalho. Acho que foi aí que percebi que tudo estava melhor agora, que tinha de facto tomado a melhor decisão que podia tomar, atendendo às circunstâncias. Não, não estou mais rica financeiramente. Mas sinto-me milionária. Soltei as amarras, aceitei finalmente que lutei sozinha, e que pouco ou nada havia a fazer. Não me enquadrava, em boa verdade nunca enquadrei. Agora que estou num ambiente em que há pessoas a preocuparem-se comigo, genuinamente, compreendo que não devia lá ter permanecido tanto tempo. Recuperei o sorriso, e mais, recuperei as gargalhadas. Não há dia, por mais escuro que seja, que não faça alguém sorrir, ou perder-se de riso. Recuperei a auto-estima outrora perdida. E recuperei o meu gosto pela vida, por passear, por praticar desporto e sentir-me bem com isso, por comer de forma saudável sem dispensar perder-me em gelados e chocolates. Levanto-me cedíssimo para ir ao ginásio com um sorriso no rosto, e consigo facilmente animar o pessoal cheio de sono que se arrasta para a aula de bicicleta. Consigo fazer corar o mais destemido praticante de levantamento de pesos, e não me contenho nas alcunhas que vou coleccionando e atribuindo a todos os membros do ginásio. Trabalho 48 horas por semana, e ainda assim não há sábado que fique em casa a deprimir. Há sempre sítios novos para ir, e sítios rotineiros a visitar. Sou assídua do teatro, já vi mais concertos num ano do que numa vida inteira. A vida sorri-nos quando lhe sorrimos de volta. Todas as narrativas precisam de uma finalização, a minha foi escrita hoje, com pesar, mas com determinação.