domingo, 11 de setembro de 2016

Incertezas

Um dia acordas, envolto em nevoeiro, e não consegues sentir o cheiro a maresia. Facilmente percebes que não estás mais junto ao mar, e que o sol não regressa como previsto. Sentes-te perdido e não percebes muito bem onde estás ou para onde queres ir. Sabes apenas de onde vieste, e como aqui chegaste, mas ainda assim, continuas sem saber onde estás. 

O ruído é ensurdecedor e, ao mesmo tempo, há um silêncio mudo, que te faz doer o estômago. As náuseas são uma constante e a perda de equilíbrio não te permite retomar o caminho. Como é que isto aconteceu - perguntas-te. Não sabes e, provavelmente, nunca vais saber. A vida, essa madrasta, sem dó nem piedade, pregou-te mais uma rasteira. Desta vez, sem pré-aviso. Quando tudo parecia estar bem, quando tudo corria pelo melhor, quando fazias planos e traçavas metas, o tapete foi-te tirado, violentamente, dos pés. Foi uma chicotada, que te deixou inerte, sem capacidade de respirar. 

Tentas voltar a ti, tentas recuperar do coma induzido, brutalmente induzido, e não consegues. Não tens vontade, não tens planos, não tens desejos nem aspirações. Não sabes o que queres, mas também não sabes o que não queres. Queres fugir e queres ficar. Queres desistir e queres lutar.

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